Vem-nos a Marte

 

Miguel Leite

Subo a mais alta montanha,

ela não é minha, é livre, sou eu,

somos o mesmo.

A montanha caminha os meus passos,

viaja rumo ao céu feito de terra.

Sou o planeta, enterrado neste céu,

cheio de carinho por todos os caminhantes

que me acariciam quando me pisam

e caminham. Os seus passos dão-me

o impulso giratório.

Assim vêm as fragrâncias e tonalidades

do meu corpo circularmente infinito,

numa espiral que obedece ao tempo,

meu pai espiritual.

A caneta amortece a gravidade do vagar

dos seres, dá forma ao vosso mundo,

o universo. É O

Pai do tempo, o sol a minha mãe, a lua a minha irmã, os

planetas os meus irmãos, as estrelas os meus sonhos.

Considerando a explosão inicial, ou seja o que for,

sei que acontece continuamente, no aconchego dos

meus vales, lares e montanhas por onde viajo e vejo.

O resto circula, coisas mais dinâmicas e flamejantes

que me divertem, entusiasmam e  me fazem corar.

São essas coisas diferentes que dão vida à terra e permitem

os seres dormirem sobre mim, cama sempre quente.

De repente, quando me deitar, entregarei totalmente a minha

alma e serei também parte do dinâmico. Serei o

movimento e verei a terra que fui, nela e sobre si.

Tudo dança e dançarei neste meu leito, o ar é feito de

respeito, a água secar-me-á o peito enchendo os rios,

cheios de vós.

Sou e serei sempre a nossa voz, a nossa mão do

cuidado, o chão do pecado de ser feliz. Perante a arte de sermos nus.

                                                  

 

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